Monday, October 02, 2006

Crítica ao Diário de Notícias

Tal como outros órgãos de comunicação social, o Diário de Notícias apostou na sua edição online. No entanto, o investimento efectuado, mesmo que monetária e estruturalmente possa ser elevado, em termos produtivos revela-se pouco frutífero.

Logo após o primeiro contacto com a página, o que ressalta é a sua fraca ousadia gráfica. Isto é, se o título consegue manter a forma e o tipo usados no formato papel, o resto deixa bastante a desejar. O seu design é pobre, seguindo a linha básica do “chapa-texto”, e possui um fundo branco linear, sem qualquer jogo de cores e com a agravante das caixas que rodeiam as notícias serem monótonas.

Quanto à estrutura da página propriamente dita e à disposição do seu conteúdo, a situação não se revela mais animadora. Na página inicial apenas podemos encontrar uma notícia principal que, por sinal, não se encontra muito desenvolvida e, para aceder ou, pelo menos para visualizar (e por isto entenda-se, ler o lead) as restantes, a única possibilidade é consultar uma barra com diferentes tópicos.

Para completar o “esquema” adoptado, a multimedialidade é característica quase ausente do site.Apenas podemos observar imagens estáticas (fotos), sendo impossível ter acesso às notícias de outra forma que não a leitura simples do texto. Ora sendo, pelo menos à partida, propósito de uma edição digital colmatar algumas deficiências de uma edição em papel e fazer uso de técnicas mais atractivas e, por vezes até mesmo, esclarecedoras para captar a atenção do leitor, seria imperioso prestar ou delegar maior cuidado neste aspecto. Colocar registos áudio, vídeos, links ou gráficos seria uma mais-valia e não um suplemento excessivo do que poderá ser a sua apresentação.

Por outro lado, não é permitido ao leitor interagir, dar a sua opinião ou sugestão. Os únicos aspectos que podemos considerar positivos são o de ser possível enviar a notícia para outra pessoa e consultar edições anteriores (muito embora isso seja prática corrente nas edições digitais de outros órgãos).

Quanto à instataneidade, nem sequer é feita referência à actualidade da notícia. É certo que sabemos, até porque isso é-nos dito, de que se trata das notícias do dia, mas ficamos por conhecer o seu desenvolvimento ou novas notícias no decorrer do mesmo.

Podiamos aprofundar a abordagem ao site, referindo, por exemplo, a questão da inclusão de spots publicitários no mesmo. Todavia, esse assunto necessitaria de um debruçar mais alongado, até porque o Diário de Notícias não é o único em que isso acontecesse. Já para não falar de que teriamos de considerar toda uma séria de factores, incluindo a própria conjectura nacional.

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